Microcrédito

QI Tech e Raízes querem levar microcrédito produtivo a R$ 1 bilhão em cinco anos

Parceria já desembolsou R$ 10 milhões, 70% para mulheres do Nordeste; para multiplicar o volume por cem, será preciso buscar funding no mercado de capitais

Pequeno negócio de costura · Foto: Metin Ozer/Unsplash

A QI Tech e a Raízes Microfinanças anunciaram a meta de chegar a R$ 1 bilhão em empréstimos de microcrédito produtivo e 10 milhões de microempreendedores atendidos nos próximos cinco anos, segundo o FIDC News. Em três anos de parceria, a operação desembolsou R$ 10 milhões. O plano, portanto, é multiplicar o volume por cem.

O público é quem costuma ficar de fora dos bancos: trabalhadores formais e informais que precisam de capital de giro para manter um pequeno negócio, como salões de bairro, costura sob encomenda, agricultura familiar e comércio local. Sem garantia real nem histórico de crédito, esse grupo raramente consegue empréstimo nas instituições tradicionais.

Na divisão de papéis, a QI Tech cede de forma gratuita sua infraestrutura de banking e lending as a service, e a Raízes cuida da originação e do relacionamento com os clientes. Dos primeiros R$ 10 milhões, 70% foram para mulheres do Nordeste, região que concentra o projeto piloto. A expansão nacional está prevista.

O processo é todo digital, do cadastro à assinatura, com validação biométrica a distância. A peça central do modelo de crédito, porém, é o aval solidário: pequenos grupos de tomadores garantem uns aos outros, o que dispensa garantia imobiliária e, segundo as empresas, ajuda a conter a inadimplência.

O ponto de maior interesse para o crédito estruturado é o funding. Para chegar a R$ 1 bilhão, a operação terá de se conectar a veículos do mercado de capitais, e o anúncio ainda não diz qual será usado. A QI Tech conhece bem o caminho: tinha R$ 182 bilhões sob administração e custódia em FIDCs no fim do ano passado, segundo a Anbima.

Para um eventual investidor, a carteira traz uma vantagem e uma incógnita. A vantagem é a pulverização extrema, com milhares de contratos de valor baixo. A incógnita é o desempenho: ainda não foram divulgados ticket médio, inadimplência observada nem número de clientes ativos. São esses dados que vão definir o tamanho da subordinação e o apetite de cotistas seniores caso a operação chegue a um FIDC.

Com informações de FIDC News.

Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação do FIDC Data.