Captação

FIDCs captam R$ 56 bilhões em 2026, mas crédito fora do Sudeste segue pouco atendido

Patrimônio da classe chega a R$ 819 bilhões; gestores dizem que não falta crédito bom no Norte e no Nordeste, e sim quem conecte originadores e investidores

Fora do eixo Rio-São Paulo, a demanda por crédito estruturado supera a oferta · Foto: thiago japyassu/Unsplash

Os FIDCs captaram R$ 56 bilhões até setembro, a segunda maior captação entre as classes de fundos, atrás apenas da renda fixa, segundo o FIDC News, com base em reportagem da Exame. O patrimônio da classe chegou a R$ 819 bilhões, alta de 9%, e o número de fundos passou de 3.785 para 4.270.

O crescimento, no entanto, continua concentrado. Um levantamento do Grupo IOX com três de seus dez FIDCs mostra que o Sudeste responde por 74,1% do volume das carteiras, e São Paulo sozinho por 62,5%. Rio Grande do Sul, com 9,8%, e Pernambuco, com 5,7%, vêm em seguida.

Parte do mercado vê explicação econômica para isso. A região reúne a maior parte do PIB e das cadeias industriais e de serviços, além de empresas mais antigas e com histórico financeiro mais longo, o que facilita a análise de crédito. Do outro lado, gestores do Nordeste afirmam que a procura por emissões supera a oferta. Para Jonatas Ortega, diretor do Grupo CVPAR, de Fortaleza, o problema não é a qualidade dos ativos, mas aproximar quem origina, quem estrutura e quem investe.

Marcelo Marques Pacheco, CEO da Yards Asset, liga parte da lacuna ao fechamento de agências bancárias, que deixou o comércio local sem o gerente que conhecia os clientes. Ex-gerentes ocuparam parte desse espaço, criando empresas para comprar direitos creditórios e, depois, transformando essas operações em FIDCs.

O ponto que mais divide o mercado é como crescer fora dos grandes centros. Ortega defende originadores e gestores instalados nas regiões, porque, segundo ele, é muito difícil avaliar uma operação no interior do Nordeste a distância. Rafael Cunha Andrade, da SRM, discorda: para ele, a análise de dados e o monitoramento remoto praticamente eliminaram a barreira geográfica. Do lado de quem aloca, Daniel Castro, CEO da Inter Asset, diz que o que pesa é o bom operador regional, que conhece a cobrança local.

Para a indústria, a leitura é de oportunidade. A concentração no Sudeste não reflete falta de bons ativos, mas falta de estrutura para alcançá-los. Para o investidor, carteiras regionais podem trazer spreads diferentes e menor correlação com o eixo Rio-São Paulo, desde que acompanhadas de análise cuidadosa da qualidade dos recebíveis, da governança do cedente e do histórico do operador local.

Com informações de FIDC News.

Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação do FIDC Data.