Inadimplência

Crédito privado ainda vai piorar antes de melhorar, diz co-CEO da Canal Securitizadora

Para Nathalia Machado, recuperações judiciais, aperto no agro e vendas desiguais no imobiliário mostram que a deterioração não é pontual

Gráfico de mercado em monitor · Foto: Nicholas Cappello/Unsplash

A piora do crédito privado ainda não chegou ao fim. A avaliação é de Nathalia Machado, co-CEO da Canal Securitizadora, em entrevista ao portal Crédito Privado 360 repercutida pelo FIDC News. Segundo ela, o aumento dos pedidos de recuperação judicial e as dificuldades do agronegócio e do mercado imobiliário indicam que os problemas não estão restritos a casos isolados.

No imobiliário, a executiva destaca que o desempenho das vendas varia muito de região para região, o que torna arriscado generalizar. No agronegócio, o quadro é de mais dificuldade para obter e administrar crédito, num ambiente menos favorável para um setor historicamente apoiado por subsídios.

Para os FIDCs, o diagnóstico tem consequência direta. Fundos com direitos creditórios de empresas em dificuldade sentem primeiro o aumento da inadimplência, que eleva as provisões e consome a cota subordinada antes de atingir os cotistas seniores. Nathalia aponta três pontos de atenção: a capacidade de pagamento dos devedores, a qualidade das informações disponíveis e a governança das operações.

A executiva também comentou a restrição do Conselho Monetário Nacional à compra, por FIDCs, de certos ativos judiciais sem decisão definitiva. Na visão dela, a regra levou o mercado a buscar outros instrumentos, como certificados de recebíveis e debêntures securitizáveis. O risco do ativo, portanto, não desapareceu: apenas mudou de veículo.

Por isso, ela defende menos regras novas e mais fiscalização das que já existem. Também pede atenção da supervisão aos materiais publicitários de produtos financeiros, que, segundo ela, podem pesar mais na decisão do investidor do que prospectos e lâminas.

Outra proposta é concentrar no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central, o SCR, dados hoje espalhados em várias fontes, para que seja possível medir o endividamento total de um tomador. O ganho seria maior justamente nos segmentos sob pressão: produtores rurais pessoas físicas e sociedades de propósito específico do setor imobiliário. Para quem estrutura e investe em FIDCs, mais informação sobre o devedor significa preço mais justo e menos surpresa na carteira.

Com informações de FIDC News.

Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação do FIDC Data.