A Rio Bravo Investimentos, com R$ 13,4 bilhões em ativos sob gestão e administração, quer crescer 30% ao ano e ampliar sua presença em ativos reais, com foco em infraestrutura, mineração e agronegócio, segundo entrevista do CEO e cofundador, Paulo Bilyk, à Capital Aberto. A ambição é ficar entre as três maiores gestoras especializadas nesse universo no país.
Uma das novidades é a entrada na administração fiduciária de FIDCs. A gestora já investe e opera fundos de direitos creditórios, mas ainda não é administradora desses veículos. Segundo Bilyk, isso deve acontecer nos próximos seis meses, com foco em estruturas mais complexas, que exigem acompanhamento próximo e desafios jurídicos maiores, deixando de lado as operações mais padronizadas. Para comandar a área de serviços fiduciários, que foi separada das demais atividades, a casa contratou Eveline Carabeli.
Fundada em 2000 por Bilyk e pelo ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, a Rio Bravo tem nos fundos imobiliários sua principal atividade, com R$ 5,6 bilhões, ou 42% do total, segundo dados de agosto. A administração fiduciária responde por R$ 4,6 bilhões e o crédito, por R$ 1,7 bilhão. Em infraestrutura, a presença ainda é pequena: R$ 110 milhões em três fundos.
Bilyk explica que a gestora conseguiu crescer num ano difícil para a indústria porque se posicionou em FIDCs especializados, e não tanto nos multicedentes e multissacados. Segundo ele, os fundos de crédito mostraram resiliência mesmo com juros altos, apoiados em operações de crédito imobiliário e nos FIDCs que surgiram no período, enquanto multimercados e fundos de ações sofreram resgates.
O executivo aponta os juros como principal obstáculo ao crescimento da gestão de recursos e ao financiamento privado da economia real. Na avaliação dele, o país tem profundidade financeira para securitizações cada vez maiores e mais sofisticadas, mas o custo do dinheiro impede esse avanço. Sua premissa é que a taxa básica volte a ficar mais perto de 10% do que de 15%, o que depende de enfrentar o desequilíbrio fiscal.
A chegada de mais uma casa à administração fiduciária de FIDCs, com foco em operações sob medida, amplia a oferta de prestadores para um mercado que cresce em número de fundos e em complexidade das estruturas.
Com informações de Capital Aberto.



