Energia

Itaú aporta R$ 1,77 bilhão na Eneva em operação com cara de ação e função de dívida

Banco fica com as preferenciais da Eneva III, que poderá recomprá-las entre 2031 e 2032; formato vem se espalhando entre elétricas num mercado de crédito mais seco

Usinas de geração de energia · Foto: Jason Mavrommatis/Unsplash

A Eneva assinou um acordo de investimento de R$ 1,77 bilhão com o Itaú Unibanco para financiar parte de seus investimentos de expansão, segundo o Brazil Journal. A operação tem forma de compra de participação, mas, na prática, funciona como um financiamento.

Pelo acordo, o banco faz um aporte na Eneva III, veículo que reúne as operações da empresa no Maranhão, e passa a deter todas as ações preferenciais dessa subsidiária. A Eneva mantém o controle, com 100% das ações ordinárias, e tem a opção de recomprar as preferenciais entre janeiro de 2031 e dezembro de 2032, ou antes em determinadas circunstâncias.

O retorno do banco vem da recompra futura dos papéis em condições acertadas previamente, com a participação nos ativos e os dividendos das preferenciais como garantia. Uma fonte que participou da negociação disse ao Brazil Journal que o formato sai mais barato e é mais atraente num mercado de crédito mais seco.

O desenho não é novo. Eneva e Itaú já haviam fechado um acordo semelhante em 2023, também envolvendo a Eneva III. Neste ano, o banco assinou operação parecida com a Energisa, de R$ 1,4 bilhão, e está concluindo outra com a Equatorial Energia, envolvendo preferenciais da distribuidora do grupo, já aprovada pelo Cade e com valor não divulgado.

Os recursos vão para a conclusão de Azulão II, termelétrica de 590 MW em construção no Amazonas, com operação comercial prevista para o primeiro trimestre de 2027, e para projetos contratados no leilão de capacidade de março, com entrada prevista entre 2028 e 2031. A Eneva, que tem o BTG como maior acionista, tem mais de 7 GW em operação e deve passar de 9 GW com os projetos já contratados.

Para o mercado de crédito, a operação mostra como grandes empresas de infraestrutura vêm buscando estruturas alternativas à dívida tradicional para financiar projetos longos. Para quem acompanha crédito privado, vale observar se o modelo de preferenciais com recompra pactuada se espalha para outros setores e como ele disputa espaço com debêntures e outras formas de captação.

Com informações de Brazil Journal.

Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação do FIDC Data.