Dinheiro novo não salva sozinho uma empresa em crise. Essa foi a principal mensagem de André Rocha, sócio-fundador e CEO da consultoria de reestruturação Triunfae, no II Congresso de Recuperação de Empresas e Falência, realizado em 8 de outubro na OAB-SP, segundo o FIDC News.
Rocha tratou do DIP financing, sigla em inglês para o financiamento concedido a empresas durante a recuperação judicial para manter a operação e executar o plano de reestruturação. Para ele, a primeira pergunta não é quanto captar, mas por que a empresa precisa do dinheiro, como vai usá-lo e de onde virá o pagamento. Uma operação desse tipo, afirmou, não pode simplesmente empilhar mais dívida sobre uma estrutura de capital que já se mostrou insustentável.
O especialista defende que o tamanho do financiamento parta de projeções consistentes de fluxo de caixa, considerando capital de giro, investimentos indispensáveis e o custo de executar a reestruturação. Prazos, carência, amortização, custo, garantias e a prioridade do novo crédito também precisam ser definidos respeitando os credores que já existiam.
A governança sobre o uso dos recursos foi outro ponto central. Entre as ferramentas citadas estão comitês de caixa, acompanhamento sistemático das projeções, limites para desembolsos e prestação de contas periódica. Sem disciplina financeira e recuperação operacional, disse Rocha, a empresa corre o risco de consumir o dinheiro novo e voltar ao mesmo aperto de liquidez.
No campo jurídico, o DIP financing tem regras próprias nos artigos 69-A a 69-F da Lei 11.101/2005, a Lei de Recuperação Judicial e Falências. A segurança jurídica é necessária para atrair financiadores dispostos a correr mais risco, mas, na visão do consultor, a melhor garantia continua sendo a capacidade de a empresa voltar a gerar caixa.
Rocha também chamou atenção para a saída: a operação deve prever desde o início como a empresa vai migrar do financiamento de crise para uma estrutura de capital sustentável, o que pode passar por um exit financing. Para fundos de crédito e FIDCs que avaliam financiar empresas em recuperação, a palestra funciona como um roteiro de diligência: viabilidade operacional, controle do uso dos recursos e fonte clara de pagamento.
Com informações de FIDC News.



