Recuperação judicial

Credores da Fictor adiam votação e plano passa a depender de FIDC ligado ao Master

Grupo propõe pagar parte da dívida de R$ 4,3 bilhões com recebíveis do Krispy FIDC, cujas cotas ainda não foram transferidas e cujo administrador está em liquidação

Cana-de-açúcar colhida: o lastro do Krispy reúne créditos de usinas contra a União · Foto: proudlyswazi/Unsplash

Os credores do Grupo Fictor suspenderam, na assembleia de quarta-feira (14), a votação do plano de recuperação judicial de uma dívida declarada de cerca de R$ 4,3 bilhões, segundo o FIDC News. A retomada ficou para 4 de dezembro. No centro da discussão está uma proposta para pagar parte dos credores com recebíveis do Krispy, um FIDC com origem ligada ao Banco Master.

A Fictor pediu recuperação judicial em fevereiro deste ano, depois da crise financeira associada à tentativa de comprar o Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A assembleia reuniu 4.782 credores habilitados, com cerca de R$ 1,4 bilhão em créditos. A suspensão teve apoio de 86,49% dos presentes, e 90% aprovaram a criação de um comitê de credores para acompanhar o processo. O plano revisado precisa ser protocolado até 18 de novembro.

Pela estrutura sugerida na assembleia, uma sociedade de propósito específico receberia os valores a receber do Krispy e os repassaria aos credores conforme o dinheiro entrasse, enquanto a Fictor pagaria outra parte com a receita da própria operação. O primeiro plano, apresentado em junho, havia sido criticado por prever deságio de 95% caso a empresa não captasse financiamento em 18 meses e por extinguir avais e fianças de sócios.

O ativo oferecido, porém, carrega pendências. A Fictor afirma ter comprado e pago as cotas do fundo, mas a transferência para o seu nome não foi concluída. A participação está ligada a um negócio de R$ 500 milhões fechado em outubro de 2025 com a Titan Capital Holding, empresa das Ilhas Cayman associada a Daniel Vorcaro. Além disso, o administrador do fundo foi liquidado pelo Banco Central em setembro, o que obriga a empresa a negociar com os liquidantes ou recorrer à Justiça.

Os números do próprio fundo mostram o tamanho da incerteza. Segundo informes enviados à CVM e citados pelo FIDC News, a carteira do Krispy soma perto de R$ 5 bilhões, mas o patrimônio líquido caiu de R$ 408,2 milhões em janeiro para R$ 42,8 milhões em fevereiro, depois de uma provisão de cerca de R$ 400 milhões. Em agosto, o patrimônio era de R$ 42,6 milhões, aproximadamente 1% da dívida declarada da Fictor. O lastro reúne pedidos de indenização de usinas de açúcar e etanol contra a União, créditos que vêm sofrendo revisões no TRF-2 e estão em discussão no STF.

Para quem investe em FIDCs, o caso ilustra a distância entre o valor de face de uma carteira de direitos creditórios e o que ela de fato pode virar em caixa. Até dezembro, três pontos devem definir o desfecho: a conclusão da transferência das cotas junto aos liquidantes, o andamento das decisões judiciais sobre os créditos das usinas e a manutenção ou não da extinção das garantias pessoais no novo plano.

Com informações de FIDC News.

Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação do FIDC Data.