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Itaú compra 35% da Prisma Capital sem voto e aposta no crescimento dos alternativos

Aporte é 100% primário, em ações preferenciais; fundadores mantêm o controle, e o dinheiro vai para originação de crédito e capital próprio nos fundos

Prédios comerciais em São Paulo · Foto: Lucas Marcomini/Unsplash

O Itaú Unibanco vai se tornar dono de 35% da Prisma Capital, gestora de investimentos alternativos com cerca de R$ 28 bilhões sob gestão, segundo o FIDC News. O valor do negócio não foi revelado, e a operação ainda precisa do aval do Cade e do Banco Central.

O desenho da transação foge do padrão. Todo o dinheiro entra no caixa da gestora, sem que nenhum sócio venda participação, e o banco recebe ações preferenciais, sem direito a voto. Os três fundadores, Marcelo Hallack, João Mendes e Lucas Canhoto, ficam com os 65% restantes e com todo o capital votante. O Itaú não terá cadeira no conselho nem no comitê de investimentos.

Segundo Mendes, a estrutura foi pensada para preservar a independência da casa, que seguirá fazendo negócios com outros bancos. As operações com o Itaú, afirmou, continuarão sendo tratadas como transações de mercado. A conversa entre as partes começou há cerca de seis meses, sem leilão nem assessor financeiro, e nasceu de uma relação anterior: a Prisma já havia vendido ao banco a corretora de seguros Avita.

Fundada em 2017, a Prisma concentra a maior parte do patrimônio em private equity, crédito privado e ativos judiciais. Desde a origem, investiu mais de R$ 14 bilhões em 120 transações. A especialidade são operações de crédito e de participação estruturados, nas quais a gestora pode ficar com fatias de empresas refinanciadas ou com opções conversíveis.

Os recursos terão dois destinos: aumentar o capital próprio que a gestora coloca nos fundos que capta, prática bem vista por investidores institucionais, e montar ou comprar plataformas de originação de crédito. O grupo já opera originação de consignado público e privado, compra de ativos judiciais e cotas seniores. Uma securitizadora estaria no radar, embora nenhum alvo tenha sido citado.

Para o mercado de FIDCs, o movimento chama atenção por dois motivos. O primeiro é a disputa por originação própria, hoje o ativo mais valioso de uma gestora de crédito, já que define a qualidade da carteira e o ritmo de crescimento dos fundos. O segundo é o formato: uma participação minoritária, sem controle, que dá ao banco exposição ao crescimento do crédito estruturado sem trazer a operação para dentro de casa. Se outros grandes bancos seguirem o mesmo caminho, gestoras independentes devem ganhar fôlego para crescer.

Com informações de FIDC News.

Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação do FIDC Data.