Infraestrutura digital

Desenvolve SP e Möbius lançam FIDC de R$ 70 milhões para provedores e data centers

Agência de fomento fica com R$ 50 milhões em cotas seniores e a gestora, com R$ 20 milhões em subordinadas; foco é a infraestrutura digital do interior paulista

Cabos de rede em data center · Foto: Taylor Vick/Unsplash

A Desenvolve SP, agência de fomento do governo paulista, e a gestora Möbius Capital estão lançando um FIDC de R$ 70 milhões para financiar empresas de infraestrutura digital no estado, segundo o FIDC News. O alvo são provedores regionais de internet e pequenos operadores de data centers, sobretudo em cidades do interior com menos oferta de conectividade.

A divisão do capital define quem corre o risco primeiro. A Desenvolve SP vai subscrever R$ 50 milhões em cotas seniores, o equivalente a 71,4% do fundo, com prioridade no recebimento. A Möbius fica com R$ 20 milhões em cotas subordinadas, ou 28,6%, que absorvem as primeiras perdas da carteira.

Na prática, para que a cota da agência de fomento tenha prejuízo, a inadimplência precisaria antes consumir toda a parcela da gestora. É um colchão relevante, e o fato de a própria Möbius ser a dona da subordinada alinha interesses: ela só preserva seu capital se originar e acompanhar bem os créditos.

O fundo poderá antecipar recebíveis dos clientes dos provedores, pessoas físicas e empresas, financiar equipamentos e projetos de expansão de rede e apoiar aquisições e fusões. O setor passa por consolidação e depende de investimento contínuo, mas, por atuar longe dos grandes centros, nem sempre encontra crédito compatível com seu porte e seu ciclo de caixa.

A Möbius entrou no negócio por meio de uma chamada pública da Desenvolve SP voltada a FIDCs e FIPs, com análise de elegibilidade, diligência e aprovação no comitê de investimentos da agência. Segundo o diretor-presidente da Desenvolve SP, Ricardo Brito, a ideia é usar o chamado blended finance, a combinação de capital público e privado, para atrair investimento e ampliar o alcance do recurso público.

Para a indústria, o modelo abre um canal de captação: agências de fomento atuando como investidoras âncora de cotas seniores, desde que a gestora tenha tese setorial clara e coloque o próprio capital na subordinada. O ponto de atenção é a concentração em um único setor e em empresas pequenas, o que torna a disciplina de originação decisiva para o resultado do fundo.

Com informações de FIDC News.

Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação do FIDC Data.