O custo médio para antecipar duplicatas e outros recebíveis subiu de 2,74% para 2,92% ao mês em setembro, a maior alta mensal desde o início do levantamento, em setembro de 2025, segundo o FIDC News, com dados da Quick Soft. O avanço aconteceu no mesmo mês em que o Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano.
A Quick Soft, empresa de tecnologia para o mercado de crédito, tem mais de 1.200 clientes institucionais e, com as adquiridas Finanblue e RGBtec, processa mais de R$ 400 bilhões em operações por ano. O indicador mede o deságio, ou seja, o desconto aplicado sobre o valor de face de um título para antecipá-lo.
Em tese, juros básicos menores deveriam baratear o dinheiro de quem compra recebíveis e, por tabela, as taxas cobradas das empresas. Não foi o que aconteceu. A explicação está no risco: quando a percepção de inadimplência aumenta, o prêmio exigido pelo comprador do crédito cresce mais do que o alívio no custo do dinheiro.
Outros números da pesquisa apontam desaceleração. O volume médio antecipado por cliente caiu 2,8% em relação a agosto, interrompendo dois meses de alta, e o prazo médio das operações subiu de 49,2 para 50,8 dias, ainda dentro da faixa histórica. Prazos mais longos sugerem que as empresas estão demorando mais para receber e recorrem à antecipação para cobrir um ciclo de caixa mais esticado. A pesquisa de crédito do Banco Central também indicou concessão restritiva no terceiro trimestre, com o risco de inadimplência como principal freio.
Para FIDCs de duplicatas, factorings e securitizadoras, o cenário tem dois lados. Deságios maiores elevam a rentabilidade bruta das carteiras compradas agora. Por outro lado, vendas mais fracas geram menos recebíveis elegíveis, e taxas acima de 2,9% ao mês são difíceis de absorver para fornecedores pequenos, justamente o perfil que mais depende da antecipação. Se o custo do crédito comer a margem do cedente, o risco de inadimplência sobe.
Nesse ambiente, o registro eletrônico das duplicatas ganha peso. Ao impedir que o mesmo título seja negociado mais de uma vez, a duplicata escritural reduz uma das principais fontes de fraude nas carteiras e, com menos incerteza sobre o crédito cedido, pode ajudar a baixar o próprio deságio no futuro.
Com informações de FIDC News.



